19 de outubro de 2013

Resenha: Perdão Leonard Peacock - Matthew Quick


Olá amigos! Como prometido trago-vos o livro:
 “Perdão Leonard Peacock” de Matthew Quick. 


Mas primeiro vamos falar um pouco do autor: ele é americano e escreve romances. É mais conhecido pelo livro O Lado Bom da Vida, mas também escreveu outros três livros: "Sorta Like a Rock Star" de 2010 e "Boy21" de 2012, não publicados no Brasil, e "Perdão, Leonard Peacock" publicado pela Intrínsica, o livro que falaremos hoje. 
Matthew Quick é um ótimo escritor, definitivamente um dos meus favoritos. A sua narrativa é sempre bem fluente e dá vontade de continuar lendo sucessivamente! Ele esteve na Bienal do livro no dia 31/08/13, o mesmo dia em nós (eu, Carolina e Mariana) estivemos. Ele lá apresentou o seu novo livro e também esteve presente dando autógrafos, o que infelizmente nenhuma de nós conseguiu devido à enorme fila, mas nada está perdido, conseguimos vê-lo através do fino vidro que nos separava, e esperamos estar lá na próxima oportunidade. 


Mais uma vez conseguiu relacionar problemas depressivos, com os seus sentimentos característicos, e a necessidade de se ser "salvo" da realidade que se torna tão deprimente. Assim como "O Lado Bom da Vida" (aconselho que leiam), o personagem principal também é do sexo masculino, alguém mais inteligente do que as pessoas comuns, que sempre tentava entender o que não conseguia, mas desta vez um adolescente, com problemas bem diferentes, mas bem comuns na sociedade em que vivemos. 

Romance?

Quando acabei de ler o livro, e reli a capa, pensei: "romance? Como isto é considerado romance se o livro não é romântico? E como o protagonista fala, o seu primeiro beijo nada foi como nos filmes de Bogart. Mas resolvi pesquisar o significado da palavra romance, e encontrei isto:

  • Narração histórica em versos simples.
  • Narração em prosa, de aventuras imaginárias, ou reproduzidas da realidade, combinadas de modo a interessarem o leitor.
  • Fantasia.
  • Novela, conto.

Acabei por entender o verdadeiro significado de romance literário, espero que vocês também! 


Leonard Peacock mora em New Jersey, e hoje é o seu aniversário, e também o dia em que ele irá matar o seu Ex melhor amigo, Asher Bael, e depois se suicidará com a arma nazi P-38 que era do seu avô, recompensa por ter morto um soldado de alta patente do exército nazi.

Antes de completar o seu plano, irá se despedir individualmente de quatro pessoas, e lhes dará um presente, embrulhado em papel cor-de-rosa, para se lembrarem dele e saberem que eles significam algo; para a sua mãe, Linda (que se mudou para New York para seguir o seu sonho de se tornar estilista, e que nem se lembrou do aniversário do filho) todo o seu cabelo que ele cortou com uma tesoura de cozinha, (a sua imagem de marca, que deixara crescer há anos, desde que o governo começou a perseguir o seu pai e ele fugiu do país), que já lhe tinha pedido várias vezes para o fazer pois Leonard achava que lhe lembrava o seu pai ( conhecido como Jack Walker, nome devido às suas duas bebidas preferidas: Johnny Walker e Jack Daniel's, um astro do rock da década de 90, que ficou famoso apenas por uma música); para o seu vizinho, Walt, um idoso que fumava desde os 12 anos, fã dos filmes de Bogart, (algo que os dois viam com bastante frequência, e até tinham a sua própria linguagem relacionada com as falas dos filmes), um chapéu típico do ator, igual ao que Leonard usava para esconder o seu cabelo mal cortado pela raiz; para Baback, o seu colega do Irã, talentoso músico que deixava Leonard assistir aos seus ensaios secretos no auditório da escola, um cheque de seis dígitos que estava guardando como fundo para a faculdade, para a causa de Baback " VERDADEIRA DEMOCRACIA DO IRÃ", algo que Baback considerou como uma ofensa, e acabou não aceitando; para o seu professor preferido, Herr Silverman, (que mantinha o mistério de não arregaçar nunca as mangas da camisa), uma medalha de honra de bronze que pertencia ao seu avô, em formato de estrela, algo que iria significar bastante para o professor, já que este ensinava predominantemente sobre o Holocausto; e para Lauren, uma jovem da mesma idade de Leonard, a moça que seria para ele perfeita para ser o seu primeiro beijo,(cristã devota que conheceu no metro enquanto esta distribuía panfletos referentes à salvação da Humanidade), um colar de prata com uma cruz.
Depois de todos os presentes entregues, e todos os diálogos feitos, segue com o seu plano e aí vamos descobrindo os motivos que o levam a querer por fim à sua vida e à do Asher ( não vou contar o final, pois creio que cada um deve descobrir por si mesmo).

Este livro mostra um clássico caso de bullying, assunto polémico à muitos anos mas totalmente comum, os "superidiotas" até hoje nos perseguem e acho que todos já tivemos a nossa experiência, seja ela muito grave ou não, acaba sempre por traumatizar, então nos leva a pensar nos outros como Leonard, que conta a sua história, (apesar de personagem fictícia), existem de verdade muitos Peacocks, incapazes de relatar o que lhes acontece com medo do que possam as outras pessoas pensar, e continuam vivendo sobre terror psicológico, que por fim se acabam matando ou resistem na luta diária no mundo em que vivemos; acaba sendo um grande ensinamento de vida, que mesmo depois de eu ter acabado de ler o livro, ainda fiquei pensando e relembrando as citações, como se fosse a voz dele na minha mente.

O final do livro fez -me ficar sem saber o que acontecerá com Leonard, e fiquei intrigada no porquê do escritor ter terminado dessa maneira, mas conforme eu fui lendo as cartas do futuro que Leonard escrevia para ele próprio, representando ser a sua esposa ou filha, (Herr Silverman tinha dito ao Leonard para fazer isso), fui entendendo tudo com a última carta: esse final que o Leonard imaginava para ele próprio, seria o que o leitor iria também imaginar que teria acontecido, e assim fiquei feliz, porque acreditei na suposição, de que Leonard teve um final feliz.
" A chave é fazer algo que marque você para sempre na memória das pessoas comuns. Algo que importe" Matthew Quick.

 

5 comentários:

  1. Ganhei esse livro em um sorteio, e assim que puder vou ler! Adorei a resenha!

    http://maisumapaginalivros.blogspot.com.br/
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    1. Muito obrigada Michelly, é um livro muito bom mesmo, digno de ser lido!

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  2. Esse livro parece ser incrível! Matthew soube bem como me conquistar (=

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    1. Uma das melhores características de Matthew Quick é conseguir envolver-nos sentimentalmente aos seus livros. Todos nós nos identificamos com certos problemas, e assim ele nos conquista =) é mesmo um livro incrível, que nos deixa a querer saber mais e mais... Não se vai arrepender de ler ;)

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  3. Primeiramente: aaaaah, Imagine Dragon...! Outra vez: música que serve de trilha perfeitamente. <3
    Bom, ótima resenha. Comprei o livro em um impulso, sem saber nada da história, mas li a sinopse antes de ler o livro. Não tinha nenhuma expectativa específica pra leitura, mas gostei bastante.
    "Este livro mostra um clássico caso de bullying (...)" hmmm, discordo aqui. É uma história sobre abuso sim, mas não bullying, eu acho.


    beijos,
    http://leitoraemtransicao.blogspot.com.br

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